p-Hacking – A call for ethics

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O p-Hacking tem sido identificado como uma das principais ameaças à credibilidade e à replicabilidade da investigação científica. De forma simplificada, p-Hacking consiste em ‘torturar os dados’ durante tempo suficiente e de forma criativa até que eles confessem algo, nomeadamente, até que o valor p seja inferiror a 0.05.

A demanda pelo estatisticamente significativo (p < 0.05) leva a que se faça de tudo um pouco para obter esse resultado. Existem diversas abordagens (e.g. a exclusão de outliers univariados e/ou multivariados, a seleção de V.I. através de modelos stepwise hierárquicos, a remoção estratégica de V.I. em modelos múltiplos) e são todas legítimas, de um ponto de vista estritamente analítico, para obter resultados cujo valor p seja < 0.05.

A validade das conclusões obtidas por esses métodos é que é questionável, de um ponto de vista científico, uma vez que existe uma forte possibilidade de se tratarem de falsos positivos. Dito de outra forma, meros artefactos estatísticos.

A pré-especificação analítica nos protocolos de investigação submetidos às comissões de ética poderá ajudar a conter o enviesamento devido ao p-Hacking e contribuir para o seu estudo.

 

phacking

Munafo et al, 2017

 

 

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Solidariedade não é Segurança Social

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segurancasocialrealSe queremos instituições sociais com pessoas sem qualificações nas direções executivas a coordenar e a mandar nas equipas técnicas qualificadas, então a solidariedade serve.

Se queremos instituições sociais com cacique associativo e com guerrilhas internas destrutivas, então a solidariedade serve.

Se queremos instituições sociais com práticas duvidosas e relatórios pseudo-técnicos, então a solidariedade serve.

Se queremos apoios sociais e prestadores de cuidados como lares, centros de dia, creches, apoio domiciliário e apoio a doenças crónicas por instituições particulares de solidariedade social, então a solidariedade serve.

Mas, se queremos segurança social, então a solidariedade não serve.

A segurança na prestação de cuidados e de apoios sociais não pode ser assegurada quando as equipas técnicas estão sob a alçada de pessoas sem qualificações. As direções clínicas de centros de saúde e as direções pedagógicas de escolas e de universidades são asseguradas por profissionais altamente qualificados. Porque é que, na área social, as coisas são diferentes? A solidariedade compromete a segurança social.

A segurança na prestação de cuidados e apoios sociais não pode ser assegurada quando a estabilidade e a viabilidade das instituições é permanentemente ameaçada por dinâmicas associativas de baixa politiquice que frequentemente acabam em ‘guerrinhas’ e ações judiciais. Hospitais e escolas são entidades reguladas por administrações regionais que lhes asseguram estabilidade e viabilidade de recursos e de funcionamento. Porque é que, na área social, as coisas são diferentes? A solidariedade compromete a segurança social.

A segurança na prestação de cuidados e apoios sociais não pode ser assegurada quando se confundem papéis e responsabilidades de advocacia com papéis e responsabilidades de prestação de cuidados e de apoios sociais. A associação de pais e a escola não são, nem podem ser, a mesma entidade. A presidência da associação de utentes do hospital é incompatível com o cargo de diretor clínico do hospital. Porque é que, na área social, as coisas são diferentes? A solidariedade compromete a segurança social.

A solidariedade é uma dádiva pela qual devemos ser gratos, mesmo quando a sua qualidade é duvidosa. A solidariedade, muitas vezes, permite que pessoas sem qualificações estejam na linha da frente, a fazer coisas que ‘mais ninguém faz’, e devemos estar gratos por essas pessoas. A solidariedade leva à gratidão e não à segurança e na área social a gratidão é perigosa, muito perigosa.

Deixemos de falar de solidariedade por um momento e comecemos a falar de responsabilidade. Comecemos pela responsabilidade do Estado em assegurar a prestação de cuidados e de apoios sociais de forma segura, competente e profissional e não solidária. Aí, estaremos em condições de perceber formas eficientes de o fazer. Sejamos claros: solidariedade é sinónimo de insegurança e não de segurança.

É mais fácil usar JASP ou SPSS?

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Escrevi recentemente que até 2020 o SPSS deixaria de ser usado, porque seria substituído pelo JASP, no meio académico. Desde então tenho recebido várias questões do tipo: o que é isso do JASP? ou ainda: é mais fácil usar JASP ou SPSS?

Atenção: o JASP ainda está em desenvolvimento.

Contudo, deixo aqui algumas notas, a título de exemplo, sobre como trabalhar em ambiente JASP para quem quiser aferir sobre o grau de dificuldade:

Como obter uma matriz de correlações:

corswitch

Como organizar estatísticas descritivas por grupos:

splitcrop

Como fazer uma regressão linear hierárquica:

hierregcorres

Zombies in Evidence Based Research

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It is very rewarding when you see a former student publishing about Zombies. The Centre for Reviews and Dissemination at the University of York hosts the international prospective registry platform for Systematic Reviews – PROSPERO. It is currently filled with ‘Zombies’. Renato Andrade makes a very good case about it and how to ‘fight back’ here: Zombie reviews taking over the PROSPERO systematic review registry. It’s time to fight back!

Captura de ecrã 2017-11-11, às 11.15.35

Quem era Student?

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sealygosset

Student é um nome familiar na estatística. A distribuição t de Student e o teste t de Student para comparar duas médias fazem parte do estudo de quase todos os estudantes universitários, mas quem era Student?

De seu nome William Sealy Gosset (nascido a 13 de Junho de 1876, faleceu a 16 de Outubro de 1937) foi um químico e matemático inglês que trabalhou na Guinness. 

Sim, na cervejeira do livro dos recordes mundiais. Pelo seu contrato de trabalho, Gosset, estava proibido de publicar qualquer desenvolvimento científico que fizesse enquanto trabalhava para a Guinness.

guiness

Contudo, como era amigo pessoal de Karl Pearson trocava correspondência com ele e os seus trabalhos acabavam por ser publicados, mas com o pseudónimo Student. 

Uma homenagem a todos os estudantes que posteriormente viessem a ler e estudar as suas publicações. 

A próxima vez que beber uma Guinness não se esqueça de brindar a Student.

Uma breve biografia aqui.

Gosset-plaque.png