‘Beauty is in the eye of the beer holder’: People who think they are drunk also think they are attractive

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Abstract

This research examines the role of alcohol consumption on self-perceived attractiveness. Study 1, carried out in a barroom (N= 19), showed that the more alcoholic drinks customers consumed, the more attractive they thought they were. In Study 2, 94 non-student participants in a bogus taste-test study were given either an alcoholic beverage (target BAL [blood alcohol level]= 0.10 g/100 ml) or a non-alcoholic beverage, with half of each group believing they had consumed alcohol and half believing they had not (balanced placebo design). After consuming beverages, they delivered a speech and rated how attractive, bright, original, and funny they thought they were. The speeches were videotaped and rated by 22 independent judges. Results showed that participants who thought they had consumed alcohol gave themselves more positive self-evaluations. However, ratings from independent judges showed that this boost in self-evaluation was unrelated to actual performance.

Bègue, L., Bushman, B., Zerhouni, O., Subra, B. and Ourabah, M. (2012). ‘Beauty is in the eye of the beer holder’: People who think they are drunk also think they are attractive. British Journal of Psychology, 104(2), pp.225-234.

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My Trump is bigger than yours – American Tragedy

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One thing I’ve learned is that when tragedy happens life goes on. Trump was elected president of the United States of America. It’s a tragedy. Life goes on. What concerns me about tragedies that occurred is whether or not they could have been prevented. Sadly, some times they can’t be prevented… I’ll keep my analysis simple and short:

Are Americans stupid? No. No more than Germans, Spanish or Portuguese. Then, why was Trump elected? Trump was elected because the system is rotten. And why is the system rotten? Because too many of us comply on a daily basis with the ethical decay of the system. I’m not a guardian of ethics and morals but the only way societies became closer to something we may call civilization was by developing a culture of justice based on ethics. Other than that, in the past kings were crowned and countries were founded on the basis of the rule – my trump is bigger than yours. We either recover a culture of justice based on ethics or we return to a society type were being civilized means: I get to say how it is because my trump is bigger than yours. Time is running out.

 

 

Sobre a Ordem dos Psicólogos Portugueses

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Houve duas tentativas falhadas de criação da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) até esta finalmente nascer em 2008. A Associação Pró-Ordem (APOP) tem o mérito de ter tido a iniciativa de a criar, numa altura em que a existência de uma Ordem para os Psicólogos era amplamente consensual, tanto pelo poder político como pela classe. Os Psicólogos Portugueses devem a existência da OPP à visão e iniciativa do Professor Telmo Baptista. Felicito-o porque tem essa capacidade. E demonstrou-a novamente ao ser eleito recentemente Presidente da Federação Europeia de Associações de Psicólogos – EFPA.

A demonstração de que nisto não basta ter visão e capacidade para agarrar a oportunidade quando ela existe, é preciso ter uma equipa, ficou bem visível no primeiro mandato. Faltou ponderação e bom senso. Os membros da direção nacional e do conselho jurisdicional eram os formadores dos jovens estagiários que se candidatavam à OPP. Era (quase) tudo feito sempre pelos mesmos, e mal feito. Este mandato foi uma desilusão. Não confundir com delusão. Só quem andava distraído e acreditava que estava tudo bem é que ficou surpreendido por haver duas listas no final deste mandato.

Acompanhei e apoiei o Professor Rui Abrunhosa, candidato a bastonário em 2013. A convicção de que algo está mal e que podia ser melhor sempre me impeliu a dar de mim o contributo que acredito ser necessário para a mudança. A Psicologia Plural trouxe à OPP o estimulo necessário para a mudança que se impunha. A sua disponibilidade e combatividade mostrou que a pluralidade é fundamental para o salutar desenvolvimento da OPP. Apesar das trapalhadas com os boletins de voto por correspondência no momento das eleições, este mandato foi pautado por mudança. Mudaram-se estatutos, mudou-se o regulamento eleitoral e mudou-se a cultura de unanimidade, de falta de contraditório, da ausência de pluralidade e de debate de ideias e de procedimentos. Contudo, infelizmente, muito ficou por mudar.

As eleições a 6 de Dezembro de 2016

a Lista C

A lista que pretende ser de continuidade e, curiosamente, apresenta o lema: Por uma Ordem Próxima e Forte. Esperaria um lema de continuidade que sublinhasse a consolidação do trabalho feito, de forma coerente com o rumo traçado até aqui. Apesar de discordar desse rumo, era isso que esperava – continuidade. Significará este lema que temos uma ordem distante e fraca? Será esse o fruto do trabalho do director executivo, que agora se candidata a bastonário? As sete ideias base do programa apresentado parecem ser uma assunção de que tudo o que foi feito nos últimos seis anos falhou e está, afinal, por fazer.

a Lista B

A lista que apareceu como movimento no facebook no decorrer das eleições de 2013 formalizou-se agora e questiona de forma veemente o estado atual da OPP. Mas o candidato a bastonário foi, e ainda é, o secretário da direção nacional da OPP. Poderá esta lista ser uma alternativa ao que existe? Não creio. Parece-me demasiado comprometida com as decisões tomadas nos últimos dois mandatos. Além disso, o seu programa soa-me estranhamente familiar ao programa Psicologia Plural de 2013.

a Lista A

A lista que se organizou com o Professor Rui Abrunhosa como mandatário e com o Professor Víctor Moita como candidato a bastonário, renovando a lista Psicologia Plural com vários elementos da atual Assembleia de Representantes e com o Tiago Pimentel, atual Presidente do Conselho Fiscal. A vasta experiência do Professor Víctor Moita na defesa e na organização da profissão em Portugal faz-me acreditar que ele é a pessoa certa, com a experiência e a disponibilidade, para ser o bastonário que a OPP necessita neste momento. Acompanha-o uma equipa experiente, dos quais  destaco: a Cecília Galvão de Azevedo, a Isabel Sequeira, a Ana Morais da Silva, o Luís Pimentel, o Joaquim Gronita e a Sofia Calheiros. Conseguirá esta equipa governar a OPP de acordo com os princípios: Pluralidade, Participação, Representatividade, Transparência e Responsabilidade? Se não acreditasse nisso não seria candidato a vice-presidente da direção nacional, mas o que eu acredito agora não interessa. O que conta é o que os colegas irão decidir a 6 de Dezembro.

O Futuro

A OPP começou em 2013 a mudar para uma cultura de maior pluralidade e de contraditório. Os procedimentos começaram a ser descentralizados e a tornar-se mais transparentes. Como membro da comissão eleitoral nacional em 2013 e, novamente, em 2016 posso atestar isso. A atual comissão eleitoral, com o Presidente José Ornelas, tem sido um exemplo de neutralidade e de sentido de responsabilidade institucional. Já foram aprovados dois debates na sede da OPP com transmissão em streaming e o adiamento do envio da revista PsiXXI de Novembro para depois das eleições, por não se tratar de uma edição especial unicamente subordinada às eleições com conteúdo equitativo das 3 listas. Como seria de esperar. Neste campo, creio que ainda temos um longo percurso de maturidade institucional por fazer na OPP. É pena que as redes sociais estejam tão inundadas de campanha eleitoral há tantos meses, expondo publicamente a OPP, quando existem mecanismos internos de comunicação adequados para campanha eleitoral que deveriam estar ao dispor das listas, por iniciativa da direção nacional, mas continua a faltar algum bom senso e maturidade institucional.

Alguns colegas têm-me perguntado quanto iremos pagar de quotas, caso a lista A vença as eleições. Acredito que as quotas pagas têm de se traduzir em valor acrescentado para os profissionais que as pagam. É no balanço do que pagamos e do que recebemos que devemos aferir o ‘custo’ da quota. Para financiar o que recebemos actualmente da Ordem, diria que bastam 10 euros anuais de quota. Um orçamento de cerca de 150 mil euros/ano deveria ser o suficiente para alugar um espaço em Lisboa com telefone fixo para receber as convocatórias do ministério da saúde e os convites das iniciativas das outras ordens profissionais, remunerar alguns administrativos e emitir cédulas profissionais. Contudo, para a lista a que pertenço isto não satisfaz. É preciso fazer mais e melhor.

Deixo algumas questões para reflexão:

  • Quantos colegas se queixam, passados seis anos, de não serem atendidos e de não conseguirem resolver de forma atempada problemas junto da Ordem?
  • O que oferece a Ordem aos seus membros, além da cédula profissional e de um seguro profissional obrigatório por lei? Por favor, não me venham falar de descontos na CP…
  • Quantos membros já participaram num evento na sede nacional/regional da sua Ordem? Sabem sequer onde fica?

Uma coisa me parece segura para o futuro: a OPP está em desenvolvimento. Já não é o que era em 2013.

Alguma documentação que poderá interessar:

# Os estatutos da OPP: Lei Nº 57_2008 / Lei n.º 138_2015
# O regulamento eleitoral da OPP: regulamento n.º 768_2016
# Plano de gestão de riscos de corrupção e infracções conexas – aqui
# Relatórios e Contas: 2010 / 2011 / 2012 / 2013 / 2014 / 2015

Quem era afinal Student?

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sealygosset

Student é um nome familiar na estatística. A distribuição t de Student e o teste t de Student para comparar duas médias fazem parte do estudo de quase todos os estudantes universitários, mas quem era afinal Student?

De seu nome William Sealy Gosset (nascido a 13 de Junho de 1876, faleceu a 16 de Outubro de 1937) foi um químico e matemático inglês que trabalhou na Guinness. Sim, a do livro dos recordes mundiais. No seu contrato de trabalho Gosset, estava proibido de publicar qualquer desenvolvimento científico que fizesse enquanto trabalhava para a Guinness. Contudo, como era amigo pessoal de Karl Pearson (mais um nome familiar na estatística) trocava correspondência com ele e os seus trabalhos acabavam por ser publicados, mas com o pseudónimo Student. Uma homenagem a todos os estudantes que posteriormente viessem a ler e estudar as suas publicações.

Uma breve biografia aqui.

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Yes Sir, no Sir, not much difference Sir.

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Abstract

OBJECTIVE:

To assess whether making the sender’s knighthood explicit in a series of letters would have any detectable effect on the response.

DESIGN:

A random sequence was generated by flipping a coin to determine whether a letter would have ‘Sir Iain Chalmers’ or ‘Iain Chalmers’ typed under the signature. This sequence was prepared independently of the preparation of an alphabetic list of the intended recipients and was then used to determine which letter would be sent. The allocation could not be influenced by prior knowledge of the recipient. Two batches of letters were sent.

SETTING:

Medical royal colleges and associated faculties, and postgraduate medical and dental schools in the UK.

PARTICIPANTS:

Presidents and deans of medical royal colleges and deans of postgraduate medical and dental schools in the UK.

MAIN OUTCOME MEASURES:

Rates of response and the mean number of days between the posting of the original letter and the date on the response.

RESULTS:

No differences between the groups were detected in the response rates: 91% and 90% for ‘Sir Iain Chalmers’ and ‘Iain Chalmers’ (relative rate for response of 1.01, 95%CI 0.83-1.23, P = 0.92), or in the mean number of days to response (‘Sir’: 32 days; ‘no Sir’: 33 days).

CONCLUSIONS:

This finding is consistent with a systematic review of responses to postal surveys, in which the effect of the status of the signatory was investigated. Combining our result with the two trials that are most comparable to our study, in which letters from professors were compared with letters from students, gives a relative response rate of 1.00 (95% CI 0.91-1.10, P = 0.99). There is, therefore, no evidence from the existing randomized experiments that the status of the signatory has any impact on the likelihood or promptness of response-even if the status was conferred by the British monarch.


Clarke, M., Clarke, L., & Clarke, T. (2007). Yes Sir, no Sir, not much difference Sir. Journal Of The Royal Society Of Medicine, 100(12), 571-572. http://dx.doi.org/10.1258/jrsm.100.12.571

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An exploration of the basis for patient complaints about the oldness of magazines in practice waiting rooms: cohort study

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Abstract

Objective To explore the basis for patient complaints about the oldness of most magazines in practice waiting rooms.

Design Cohort study.

Setting Waiting room of a general practice in Auckland, New Zealand.

Participants 87 magazines stacked into three mixed piles and placed in the waiting room: this included non-gossipy magazines (Time magazine, the Economist, Australian Women’s Weekly, National Geographic, BBC History) and gossipy ones (not identified for fear of litigation). Gossipy was defined as having five or more photographs of celebrities on the front cover and most gossipy as having up to 10 such images.

Interventions The magazines were marked with a unique number on the back cover, placed in three piles in the waiting room, and monitored twice weekly.

Main outcome measures Disappearance of magazines less than 2 months old versus magazines 3-12 months old, the overall rate of loss of magazines, and the rate of loss of gossipy versus non-gossipy magazines.

Results 47 of the 82 magazines with a visible date on the front cover were aged less than 2 months. 28 of these 47 (60%) magazines and 10 of the 35 (29%) older magazines disappeared (P=0.002). After 31 days, 41 of the 87 (47%, 95% confidence interval 37% to 58%) magazines had disappeared. None of the 19 non-gossipy magazines (the Economist and Time magazine) had disappeared compared with 26 of the 27 (96%) gossipy magazines (P<0.001). All 15 of the most gossipy magazines and all 19 of the non-gossipy magazines had disappeared by 31 days. The study was terminated at this point.

Conclusions General practice waiting rooms contain mainly old magazines. This phenomenon relates to the disappearance of the magazines rather than to the supply of old ones. Gossipy magazines were more likely to disappear than non-gossipy ones. On the grounds of cost we advise practices to supply old copies of non-gossipy magazines. A waiting room science curriculum is urgently needed.


Arroll, B., Alrutz, S., & Moyes, S. (2014). An exploration of the basis for patient complaints about the oldness of magazines in practice waiting rooms: cohort study. BMJ, 349(dec10 20), g7262-g7262. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.g7262

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Parachute use to prevent death and major trauma related to gravitational challenge: systematic review of randomised controlled trials

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Abstract

Objectives To determine whether parachutes are effective in preventing major trauma related to gravitational challenge.

Design Systematic review of randomised controlled trials.

Data sources: Medline, Web of Science, Embase, and the Cochrane Library databases; appropriate internet sites and citation lists.

Study selection: Studies showing the effects of using a parachute during free fall.

Main outcome measure Death or major trauma, defined as an injury severity score > 15.

Results We were unable to identify any randomised controlled trials of parachute intervention.

Conclusions As with many interventions intended to prevent ill health, the effectiveness of parachutes has not been subjected to rigorous evaluation by using randomised controlled trials. Advocates of evidence based medicine have criticised the adoption of interventions evaluated by using only observational data. We think that everyone might benefit if the most radical protagonists of evidence based medicine organised and participated in a double blind, randomised, placebo controlled, crossover trial of the parachute.


Smith, G. (2003). Parachute use to prevent death and major trauma related to gravitational challenge: systematic review of randomised controlled trials. BMJ, 327(7429), 1459-1461. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.327.7429.1459

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DSM I, II, III, IV, 5 (1952 – 2013)

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Sobre o fim anunciado do DSM – Editorial publicado: Rev Port Med Geral Fam vol.31 no.3 Lisboa jun. 2015

O anúncio foi feito a 29 de Abril de 2013, duas semanas antes do lançamento da versão 5 do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5): o National Institute of Mental Health (NIMH) não irá financiar mais o DSM. Esta é a sua última versão. Como o casal que anuncia que não terá mais filhos duas semanas antes do nascimento do seu quinto filho; com o parto, as atenções focam-se no bebé e o anúncio prévio fica esquecido. A notícia da publicação do novo manual, desta vez ‘5’ e não ‘V’, fez com que a comunicação do seu fim passasse despercebida. Porque terminou o financiamento ao DSM? Nas palavras do presidente do NIMH, Thomas Insel (2013):

The strength of each of the editions of DSM has been “reliability” – each edition has ensured that clinicians use the same terms in the same ways. The weakness is its lack of validity. Unlike our definitions of ischemic heart disease, lymphoma, or AIDS, the DSM diagnoses are based on a consensus about clusters of clinical symptoms, not any objective laboratory measure. In the rest of medicine, this would be equivalent to creating diagnostic systems based on the nature of chest pain or the quality of fever. Indeed, symptom based diagnosis, once common in other areas of medicine, has been largely replaced in the past half century as we have understood that symptoms alone rarely indicate the best choice of treatment. Patients with mental disorders deserve better.

No lançamento das versões anteriores houve sempre debate em torno das categorias de classificação propostas e grande agitação em torno do uso do DSM.1-3 Desde 1952 várias categorias entraram e saíram da classificação de perturbação mental (e.g. homossexualidade). Por se tratar de um acordo sobre sintomas clínicos, o que é valorizado ou não como sintoma clínico, assim como a obtenção de um consenso, resulta de apreciações que ocorrem num dado contexto histórico nas suas dimensões sociais, políticas e culturais.

A validade do DSM sempre foi questionada apesar de se considerar uma referência fiável. Como pode o que não é válido ser considerado fiável? Apenas porque se generalizou o seu uso e se ganhou uma sensação, porventura falsa, de que se estão a usar os mesmos termos com os mesmos significados? A consistência na possibilidade de erro (não validade) não deveria ser percebida como fiabilidade. Quem confia numa mercearia que vende cebolas pesadas através de uma fita métrica? Se ela o faz há 60 anos haverá quem confie, decididamente.

O DSM tem sido percebido como fiável apesar da sua validade duvidosa. E talvez por isso, para alguns, o anúncio da morte do DSM seja precoce e exagerado. A quinta versão foi editada há dois anos e continua a ser leccionada e utilizada como referência por profissionais ‘Psi’ e não só. E assim continuará por muitos anos, apesar de não estar também esta versão 5 isenta de polémica.4

Alguns pontos que merecem atenção prendem-se com a patologização de aspectos da vida quotidiana, como a inclusão do luto como transtorno depressivo, ou do esquecimento próprio da terceira idade como transtorno neurocognitivo menor, ou das preocupações do dia-a-dia como perturbação de ansiedade ou, ainda, a inclusão do uso intensivo de internet ou do sexo com muita frequência como novas adições comportamentais. Também a revisão nas definições de Autismo, de Perturbação de Stress Pós Traumático, de Défice de Atenção e no Abuso de Substâncias têm suscitado várias reacções e críticas. É particularmente crítico o uso destas classificações para efeitos de intervenção em educação quando não é esse o seu propósito.

Na ausência de uma alternativa, as categorias DSM, ou as do congénere ICD10, continuarão a ser usadas como referenciais de classificação para efeitos práticos de diferenciação, seja para prescrição, para benefício social ou para constrangimento legal. Não se vislumbra o seu abandono sem uma alternativa.

O que virá a seguir? Thomas Insel responde com o projecto Research Domain Criteria (RDoC) que lançará as fundações de um novo sistema de classificação, incorporando ‘genetics, imaging, cognitive science, and other levels of information’. Um olhar mais atento ao projecto (informação disponível em: http://www.nimh.nih.gov) sugere que o pêndulo do biopsicossocial será agora puxado para o nível individual focado no fisiológico, no genético e no neurológico. O referencial conceptual parece ignorar a forte evidência de factores causais, como: pobreza, desemprego e trauma. Ao ignorar a relação transaccional da pessoa com múltiplos níveis contextuais apresenta-se, para já, como um referencial que assenta numa epistemologia reducionista. Um regresso ao passado cuja projecção no futuro se alicerça nas expectativas de resultados decisivos graças às inovações da genética e da neurologia.

O fim anunciado do DSM sugere um óbito e, como tal, pede um requiem. Até porque, quanto ao futuro, já diz o ditado: ‘depois de mim virá quem de mim bom fará’. Muitas questões ficam ainda sem resposta.5 Importa lançar a reflexão e o debate em torno destes pontos: qual o impacto que esta decisão terá na prática clínica futura? Como se enquadrará a perspectiva biopsicossocial no pós-DSM5? Quais as implicações desta decisão na gestão de Saúde Mental nos Cuidados Primários? Apelamos aos leitores que queiram participar neste debate a enviar à RPMGF os seus comentários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Houts AC. Fifty years of psychiatric nomenclature: reflections on the 1943 War Department Technical Bulletin, Medical 203. J Clin Psychol. 2000;56(7):935-67.
2. Kawa S, Giordano J. A brief historicity of the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: issues and implications for the future of psychiatric canon and practice. Philos Ethics Humanit Med. 2012;7:2.
3. Mayes R, Horwitz AV. DSM-III and the revolution in the classification of mental illness. J Hist Behav Sci. 2005;41(3):249-67.
4. Frances AJ, Widiger T. Psychiatric diagnosis: lessons from the DSM-IV past and cautions for the DSM-5 future. Annu Rev Clin Psychol. 2012;8:109-30.
5. Kupfer DJ, Kuhl EA, Wulsin L. Psychiatry’s integration with medicine: the role of DSM-5. Annu Rev Med. 2013;64:385-92.